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O
início do Residencial Recanto da Serra deu-se
em meados dos anos 90, por necessidade de segurança.
Isto ocorreu quando a NovaUrbe retirou a portaria
e a cancela que controlavam o acesso sobre a ponte
do Urbanova.
Logo, o bairro distante da cidade e com muitas áreas começou
a ser tornar ponto para ‘rachas’ e ações de marginais.
Naqueles tempos nenhum dos núcleos hoje existentes era fechado,
a não ser o Altos da Serra-1, que foi vendido com o muro em seus
limites.
Os problemas de segurança se acumulavam e agravavam. A única
maneira foi a comunidade local se organizar e passar a fechar seus limites,
controlar o acesso para evitar os seguidos roubos e assaltos que ocorriam
por aqui. Fomos um dos primeiros a nos organizarmos neste sentido.
Os pouquíssimos moradores e construtores do Recanto da Serra ainda
enfrentavam a falta de iluminação pública, sistema
de telefonia, asfalto de péssima qualidade e um abandono completo
por parte da prefeitura e NovaUrbe. Momentos realmente difíceis,
mas que se converteram numa imensa união.
Os proprietários realmente interessados em ver o Recanto da Serra
(que não tinha esse nome na época) prosperar criaram uma
SAB e com a rateio dos custos do alambrado conseguimos cercar o residencial
e ter uma portaria onde funciona hoje a P-2 (portaria de serviço).
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A
primeira guarita
Com o passar do tempo, construiu-se uma pequena guarita de alvenaria.
Não havia portão ou ronda interna, a arrecadação
não cobria esses custos. Poucos realmente se interessavam em melhorar
o lugar e a maioria, de especuladores, esperava que essas fossem feitas
para negociar os imóveis por preços maiores dentro do mercado
imobiliário.
A pressão oriunda da união comunitária fez que conseguíssemos
a colocação da iluminação nas ruas, a chegada
dos cabos telefônicos e algumas eventuais rondas da polícia
militar. Todos os loteamentos trabalhavam em conjunto, não havia
a imensa separação e distanciamento que há atualmente.
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Abandono
O Recanto da Serra, nome que surgiu em um concurso entre os moradores,
vinha de administrações amadoras, sem qualquer controle
de caixa ou plano de investimentos. No final da década houve uma
reviravolta, que marcaria um novo tempo na história do loteamento.
Tivemos a primeira vítima fatal do abandono que vivíamos
como bairro. O nosso companheiro e vizinho, Quinzinho (que dá nome
a portaria principal) foi brutalmente atropelado por um Opala que tirava
um ‘racha’ na Avenida Shishima Hifume. Aquilo foi a gota dágua
num pote transbordante.
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Reação
Fizemos um imenso protesto, paralisamos a avenida, com vasta cobertura
da imprensa. Eram pais, mães, filhos que distribuíram panfletos
ao público e denunciávamos nossa triste condição.
Passamos também a planejar o futuro do Recanto da Serra. A primeira
ação foi instalar um portão na portaria 2 e trabalhar
em conjunto para contatarmos e cobrarmos os devedores das mensalidades.
Em 2000, construímos com nossas parcas economias a Portaria Principal
dentro dos moldes de abrigo desmontável, orientados pela prefeitura.
Onde existia somente uma tela, passou a ter uma das mais belas e estruturadas
portarias do Urbanova. Algo que para muito era um sonho impossível
se concretizou.
Partimos para uma maior privacidade com a busca de uma solução
ecológica e esteticamente funcional. Foi escolhida a cerca viva
de cedrinho. Além de funcional, ajudava era de custo baixo, evitava
que fosse escalada (como os muros) e ajudava o meio ambiente. Os próprios
moradores e seus filhos partiram para fazer as covas e plantar as mudas,
num clima extremamente fraternal e saudável.
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Um
lugar feliz
Sequer tínhamos a noção do imenso benefício
feito ao local. O valor dos imóveis disparou e a procura por terrenos
e casas no Recanto da Serra era imensa. O nível de colaboração
cresceu e nos possibilitou construir o atual campo de futebol de areia.
Novamente a comunidade se mobilizou, recebemos ajuda de vereadores, da
prefeitura e conseguimos criar o espaço de entretenimento e esporte.
Nossa comunidade também era famosa pelas festas. Tínhamos
a junina, com direito a fogueira, barraquinhas, dança e muita
comida. No final do ano celebrávamos o Natal juntos, num dos momentos
mais relembrados desta união construtora do Recanto da Serra.
Coral das crianças, presépio, distribuição
de lembranças...
Eram momentos únicos. O Recanto da Serra era uma grande família,
mesmo enfrentando os mais diversos problemas, éramos amigos, companheiros
e felizes. Muito felizes. Tivemos até um animado carnaval de rua,
com nossas crianças dando formas e vida a imensos bonecões
construídos em oficinas criadas nos quintais e nas calçadas.
E há ainda os que se lembram bem dos jogos animadíssimos
de basquete, numa tabela que construímos e instalamos em um poste.
Toda noite tinha jogo, todo mundo jogava. Jovens de outros residenciais
vinham para disputar as partidas jogadas em plena rua.
Logo veio o parquinho para as crianças e animadíssimas
festas do dia das crianças, com trenzinho, palhaços e jogos.
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A
retomada
O nosso residencial cresceu, melhorou sob alguns aspectos, mas emudeceu
como comunidade. Nos últimos anos o que se vê é a
perda de nossa identidade, um desinteresse em reviver os grandes dias
em que éramos uma grande equipe lutando e até mesmo brigando
para tornar o Recanto da Serra no melhor dos lugares do Urbanova para
se viver.
Hoje mal as pessoas se falam ou participam da vida e do futuro do nosso
recanto. Difícil saber o que aconteceu! Mas esperamos que a vontade
supere a acomodação, que a crítica venha seguida
de uma sugestão, que nossas festas voltem a ser a expressão
de nossos espíritos, da alegria de se viver num local tão
belo, feito com tanto sacrifício e carinho.
Torcemos para que seja apenas um momento, que voltemos a ter o espírito
de comunidade e de solidariedade responsável por chegarmos até aqui.
Fica então o convite para retomarmos esse caminho, tão
belo e fraternal. E para isto acontecer basta participar, basta querer!
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